domingo, 19 de outubro de 2008

juno


Curti Juno e seu estilo “junkie com responsabilidade”. É legal como o filme trata de assuntos sérios e coisas complexas quase num tom de brincadeira juvenil... Talvez devêssemos encarar todos os problemas da vida desse jeito, ao som de Belle & Sebastian e conversas! Tudo se resolve mais fácil, tão simples* como um parto natural, onde a dor é ao mesmo tempo maior e mais efêmera. O filme também me lembrou a questão do aborto, que aliás, mesmo após horas e horas de discussões acaloradas com a Marcela, ainda não tenho um posicionamento real. Talvez seja como ela mesma diz – só sendo mulher pra saber...

Mas o fato aqui é que os bebês têm unhas e foi melhor esse da história ter mesmo nascido... Ele mudou a vida de todos os personagens, o que já é muito mais vantajoso que jogar fora e fingir que nada aconteceu. Talvez a vida coloque obstáculos na estrada pra que a gente simplesmente compreenda melhor depois que a chuva passar (é, tô ouvindo I can see clearly now, hoaehoaheo). Fugir é o caminho mais curto e fácil, mas nem sempre o melhor.

*sei que as mulheres podem protestar pelo uso da palavra “simples”, imagino que qualquer parto não é uma coisa lá muito fácil, mas o normal me parece ser mais “simples” que algo que envolva cirurgia e bisturis ;)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Rimbaudianas

“O meu maior medo é que os outros me vejam como eu os vejo.”
Rimbaud

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

efêmero

Se conheceram no carnaval
como todo carnaval
(tem seu fim)
dois ou três dias depois
agonizaram a partida do ônibus
e provavelmente nunca mais se veriam...

sábado, 4 de outubro de 2008

lost in translation...

Eles não poderão mais se ver depois do pôr-do-sol e em pouco tempo serão, novamente, dois turistas perdidos em si mesmos, estrangeiros em suas próprias vidas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Crise

Sinto desmanchar o nosso poema em sua boca
A cada palavra que ouço,
vejo o sabor do seu corpo escorrer
por minhas mãos sujas
Estou vivendo a crise do amor.

O cheiro que você deixa me mantém acordado
e os gemidos da sua alma
não são tantos mais que o meu desejo desesperado.
Estou vivendo uma crise de amor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

evening (ao entardecer)


Evening é um filme cruel: mostra Ann Grant (Claire Danes, linda) vivendo a plenitude de uma juventude promissora e, anos depois, a prorrogação de uma morte anunciada (nessa fase, interpretada por Vanessa Redgrave – o elenco é cheio de grandes nomes). Os cortes temporais revelam uma senhora doente em estado terminal arrependida pela forma como conduziu sua vida. Ela se lamenta por não ter ido velejar, por não ter enfrentado tudo e todos, por não ter se dedicado ao verdadeiro amor, e assim, com movimentos fracos e respiração difícil, descobre que ninguém tem todo o tempo do mundo.

O filme é cruel justamente por mostrar que só temos uma chance de dizer as coisas que queremos dizer, e se arrepender anos depois é um caminho sem volta. A mensagem é assim: sonhe, viaje, converse, ame, escreva, trabalhe, divirta-se, right now, porque no fim da vida fazer tudo isso será um esforço ambicioso demais. Mesmo aparecendo pouco, Meryl Streep acrescenta muito ao filme, e sua filha, Mamie Gummer, prova ser tão talentosa quanto a mãe, interpretando a personagem de Streep quando jovem. Fica a impressão de que o peso do passado, misturado ao sentimento de não ter traçado os caminhos certos, deixa cicatrizes incuráveis, e talvez beber seja a última esperança.

Gurupi’s ideas

Angélica hoje, na Pamonharia:

“É claro que Deus não é contra beber. Tanto é que o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho... Aliás, se Jesus voltasse nos dias de hoje, transformaria água em cerveja.”


E tenho dito: não existe nada mais sóbrio do que conversas de bar. xD